{"id":10098,"date":"2026-07-17T12:28:38","date_gmt":"2026-07-17T15:28:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.espetro.com.br\/site\/?p=10098"},"modified":"2026-07-17T15:19:04","modified_gmt":"2026-07-17T18:19:04","slug":"gasolina-com-mais-etanol-por-edson-silva","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.espetro.com.br\/site\/2026\/07\/17\/gasolina-com-mais-etanol-por-edson-silva\/","title":{"rendered":"Gasolina com mais etanol, por Edson Silva"},"content":{"rendered":"\n<p>17\/07\/2026 &#8211; A partir de 1 de agosto, pelo menos nos pr\u00f3ximos 180 dias, a gasolina comercializada no Brasil ter\u00e1 32% de etanol anidro, conforme decis\u00e3o anunciada pelo CNPE &#8211; Conselho Nacional de Pol\u00edtica Energ\u00e9tica, em meio a contesta\u00e7\u00f5es e aplausos. <\/p>\n\n\n\n<p>Entidades representativas de distribuidoras regionais e dos Postos de Combust\u00edveis, entre outras, publicaram Nota, expressando preocupa\u00e7\u00e3o com o aumento da adi\u00e7\u00e3o do biocombust\u00edvel na gasolina. \u201cAs entidades (&#8230;) reafirmam seu apoio inconteste \u00e0 descarboniza\u00e7\u00e3o&#8230; A preocupa\u00e7\u00e3o recai sobre os potenciais impactos (do etanol anidro) na frota de ve\u00edculos leves, embarca\u00e7\u00f5es de pequeno porte (e outros)\u201d \u2013 disse a Nota.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 a representa\u00e7\u00e3o dos produtores comemorou a aprova\u00e7\u00e3o da mistura: \u201cA decis\u00e3o do CNPE &nbsp;representa mais um passo na evolu\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica p\u00fablica constru\u00edda ao longo de d\u00e9cadas\u201d \u2013 disse a \u00danica.<\/p>\n\n\n\n<p>Interesses corporativistas \u00e0 parte, importa ressaltar a j\u00e1 longa experi\u00eancia, bem sucedida, que o Brasil acumulou no trato de biocombust\u00edveis na matriz veicular. Sempre que opinei sobre essa mat\u00e9ria, sublinhei a preliminar de que toda maior adi\u00e7\u00e3o de etanol ou biodiesel na gasolina e no diesel deveria ser precedida, necessariamente, de testes laboratoriais e da fundamentada aprova\u00e7\u00e3o dos fabricantes de motores. A decis\u00e3o governamental vem depois. Isto \u00e9, o determinante nunca pode ser a vontade pol\u00edtica, mas a responsabilidade t\u00e9cnica.<\/p>\n\n\n\n<p>Prefiro acreditar que, como at\u00e9 aqui, assim se deu na conclus\u00e3o do CNPE, ali\u00e1s adiada mais de uma vez.<\/p>\n\n\n\n<p>Nossa trajet\u00f3ria com o biocombust\u00edvel de cana de a\u00e7\u00facar \u00e9 quase centen\u00e1ria, data de fevereiro de 1931, quando o Decreto n\u00ba 19.717, instituiu, para a gasolina importada, a adi\u00e7\u00e3o de 5% de \u00e1lcool. Ent\u00e3o, o Brasil dependia da importa\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e, por conseguinte, estava vulner\u00e1vel \u00e0s flutua\u00e7\u00f5es de seu pre\u00e7o internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>De l\u00e1 pra c\u00e1, o Brasil aumentou, ano a ano, a produ\u00e7\u00e3o do derivado de petr\u00f3leo, fazendo despencar sua importa\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m aumentaram a produ\u00e7\u00e3o e moderniza\u00e7\u00e3o do biocombust\u00edvel, com o surgimento de centenas de usinas, a ponto de deslocar geograficamente seu tradicional polo, do Nordeste para S\u00e3o Paulo. O setor bioenerg\u00e9tico brasileiro iniciou a safra 2026\/27 com produ\u00e7\u00e3o recorde de etanol, adicionando quase <strong><a href=\"https:\/\/eixos.us12.list-manage.com\/track\/click?u=12e52eef62fdad8fe6b4ba270&amp;id=0a2188ce34&amp;e=8e54b42596\">4 bilh\u00f5es de litros<\/a><\/strong> ao mercado dom\u00e9stico, volume pr\u00f3ximo ao total de gasolina importado pelo pa\u00eds em 2025, de acordo com nota conjunta de Bioenergia Brasil, Unem e \u00danica. Lembro, os cerca de 3,5 bilh\u00f5es de litros de gasolina importada custaram U$S 1,6 bilh\u00e3o, 10% mais que em 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;A nomenclatura inovou, deixando de ser \u00e1lcool para se chamar \u201cetanol anidro\u201d, um combust\u00edvel automotivo espec\u00edfico. &nbsp;Al\u00e9m dele, passamos a produzir etanol hidratado, comercializado nos Postos de combust\u00edveis. O metanol, um composto qu\u00edmico, outrora misturado \u00e0 gasolina para lhe dar mais octanagem, foi definitivamente banido no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990, dado seus danosos efeitos, substitu\u00eddo pelo etanol. Os n\u00edveis de mistura \u00e0 gasolina aumentaram ininterruptamente, at\u00e9 chegar aos 30%, em agosto passado. Por fim, mas n\u00e3o menos importante, com o apoio da ind\u00fastria, passamos do &nbsp;carro a alcool, ao pioneiro ve\u00edculo flex, dando ao consumidor optar entre a gasolina com anidro e o abastecimento com etanol hidratado. A mat\u00e9ria-prima do etanol deixou de ser apenas a cana de a\u00e7\u00facar, diversificou, tornando o milho sua segunda fonte. H\u00e1 tamb\u00e9m em perspectiva, a produ\u00e7\u00e3o a partir de trigo. &nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Foi por essa <em><strong>bem resolvida experi\u00eancia<\/strong><\/em>, que o Brasil se tornou refer\u00eancia mundial em biocombust\u00edveis, uma revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica sintonizada com os desafios da transi\u00e7\u00e3o da era do petr\u00f3leo. <\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 apenas sobre menor pre\u00e7o da gasolina oferecida aos consumidores. Como nunca, fatores macroecon\u00f4micos, macro ambientais e geopol\u00edticos est\u00e3o na ordem do dia mundo afora. Na d\u00e9cada de 1970, atento aos impactos severos da crise do petr\u00f3leo, o Brasil anunciava o <strong>Programa Nacional do \u00c1lcool (Pro\u00e1lcool), <\/strong>tendo por meta estimular a produ\u00e7\u00e3o do combust\u00edvel vegetal, de modo a neutralizar a depend\u00eancia da importa\u00e7\u00e3o do \u201couro negro\u201d. Desde ent\u00e3o, o Brasil passou a exportador de petr\u00f3leo, ainda que n\u00e3o tenha alcan\u00e7ado a autossufici\u00eancia em gasolina e diesel. Tornou-se, ademais, a mais bem sucedida experi\u00eancia com o manuseio de biocombust\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, gra\u00e7as \u00e0 sua <strong>centen\u00e1ria experi\u00eancia<\/strong>, o pa\u00eds depende hoje menos das compras internacionais de gasolina (menor impacto na balan\u00e7a comercial), tem mais seguran\u00e7a energ\u00e9tica e prosperou na descarboniza\u00e7\u00e3o de sua matriz veicular \u2013 a pegada de carbono do etanol \u00e9 at\u00e9 90% menor que a da gasolina mineral.<\/p>\n\n\n\n<p>Estamos falando de <strong><em>transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica<\/em><\/strong> como a crise ambiental imp\u00f5e e exigem as flutua\u00e7\u00f5es nos pre\u00e7os da commoditie, por conta dos conflitos pelo controle do petr\u00f3leo.<\/p>\n\n\n\n<p>_______________________________________________<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Edson Silva &#8211; economista, ex-Superintendente de Abastecimento da ANP &#8211; Ag\u00eancia Nacional doPetr\u00f3lo, G\u00e1s Natural e Biocombust\u00edveis &#8211; s\u00f3cio-fundador da consultoria ES Petro <\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>17\/07\/2026 &#8211; A partir de 1 de agosto, pelo menos nos pr\u00f3ximos 180 dias, a gasolina comercializada no Brasil ter\u00e1 32% de etanol anidro, conforme decis\u00e3o anunciada pelo CNPE &#8211; Conselho Nacional de Pol\u00edtica Energ\u00e9tica, em meio a contesta\u00e7\u00f5es e<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-10098","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.espetro.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10098","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.espetro.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.espetro.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.espetro.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.espetro.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10098"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/www.espetro.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10098\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10101,"href":"http:\/\/www.espetro.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10098\/revisions\/10101"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.espetro.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10098"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.espetro.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10098"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.espetro.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10098"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}