{"id":3142,"date":"2020-04-07T13:28:32","date_gmt":"2020-04-07T16:28:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.espetro.com.br\/site\/?p=3142"},"modified":"2020-04-07T13:28:32","modified_gmt":"2020-04-07T16:28:32","slug":"covid-19-as-incertezas-reais-e-a-teimosia-ideologica","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.espetro.com.br\/site\/2020\/04\/07\/covid-19-as-incertezas-reais-e-a-teimosia-ideologica\/","title":{"rendered":"Covid-19, as incertezas reais e a teimosia ideol\u00f3gica"},"content":{"rendered":"<p>07\/03\/2020 &#8211; A ES Petro publica a seguir o artigo assinado por Adriano Pires e Luiz Eduardo Dutra, dois economistas com larga experi\u00eancia na \u00e1rea de energia. Sua leitura certamente contribuir\u00e1 para\u00a0uma reflex\u00e3o desapaixonada sobre os assuntos ali tratados (Nota da Reda\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.poder360.com.br\/author\/adriano-pires\/\">ADRIANO PIRES<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.poder360.com.br\/author\/luiz-eduardo-duque-dutra\/\">LUIZ EDUARDO DUQUE DUTRA<\/a> &#8211; Poder 360 07.abr.2020<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em apenas 3 meses, um v\u00edrus antes desconhecido foi capaz de paralisar, pa\u00eds ap\u00f3s pa\u00eds, o mundo inteiro. Trata-se do ser mais simples existente sobre a Terra, de acordo com a microbiologia. Nem c\u00e9lula possui. Contudo, at\u00e9 aqui, o tit\u00e2nico esfor\u00e7o de pesquisa n\u00e3o revelou sua patogenicidade, palavra dif\u00edcil que nos diz como causa dano ao corpo humano. Sem conhecer sua estrat\u00e9gia invasora, o tratamento se faz \u00e0s cegas, por tentativas. Tamb\u00e9m n\u00e3o existe vacina. A ci\u00eancia n\u00e3o pode tudo, tem tempo distinto e caprichos pr\u00f3prios. Assim como os deuses gregos, ela n\u00e3o \u00e9 previs\u00edvel.<\/p>\n<p>Mas, foi exatamente a ci\u00eancia moderna que venceu o obscurantismo medieval e afastou o divino da realidade. Ela assentou solidamente a engenharia que construiu estruturas (estradas, pontes, t\u00faneis e cidades) e meios (trens, carros e avi\u00f5es) que, por sua vez, viabilizaram o adensamento e a mobilidade em padr\u00f5es nunca antes imaginados. A cren\u00e7a na prosperidade permanente, no progresso cont\u00ednuo, na ascens\u00e3o social de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o, a certeza do futuro melhor que o passado\u2026 esses sentimentos resultaram da Revolu\u00e7\u00e3o industrial. Desde ent\u00e3o, a soberba de pesquisadores, empres\u00e1rios e pol\u00edticos n\u00e3o encontrou limites.<\/p>\n<p>Contudo, \u00e0 medida em que o v\u00edrus se propaga, que se reproduz numa curva exponencial de cidade em cidade, as certezas caem por terra como castelos de cartas, num efeito domin\u00f3 sem fim. Os Estados Unidos j\u00e1 t\u00eam mais infectados e mortes que a China. Sem outra solu\u00e7\u00e3o \u00e0 vista, a virul\u00eancia e transmissibilidade s\u00e3o mitigadas como no passado distante: isolam-se os vulner\u00e1veis, identificam-se os infectados e cremam-se os corpos; al\u00e9m do que aprendemos em termos de higiene, distanciamento e confinamento no combate ao inimigo invis\u00edvel e incontrol\u00e1vel. Enquanto isso, as estruturas econ\u00f4micas, redes de neg\u00f3cio, rela\u00e7\u00f5es sociais e o cotidiano dos indiv\u00edduos se desfazem, ou pelo menos, encontram-se em suspens\u00e3o \u2013uma grande parada.<\/p>\n<p>Diferente do que foi visto ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o industrial, a origem da crise n\u00e3o \u00e9 pol\u00edtica, nem econ\u00f4mica. N\u00e3o decorreu de um evento natural extremo (terremoto, seca, furac\u00e3o, ou tempestade), embora tamb\u00e9m n\u00e3o fosse previs\u00edvel. Certo \u00e9 que o v\u00edrus atingir\u00e1 o mundo todo no decorrer deste semestre, fechando f\u00e1bricas, parando cidades, enclausurando as fam\u00edlias e fazendo v\u00edtimas. Entre 1\/10 e 1\/5 do PIB mundial ser\u00e1 perdido e ningu\u00e9m sabe o que disso vir\u00e1, nem por quanto tempo durar\u00e1. Entre uma crise redentora, ou revolucion\u00e1ria, diversos cen\u00e1rios s\u00e3o poss\u00edveis; isso se n\u00e3o ocorrer o repique da pandemia no pr\u00f3ximo inverno no Hemisf\u00e9rio Norte e enquanto a ci\u00eancia n\u00e3o desvendar o mist\u00e9rio.<\/p>\n<p>Em situa\u00e7\u00f5es quase apocal\u00edpticas como a atual \u00e9 interessante observar que n\u00e3o existe dilema entre os economistas t\u00e3o afeitos \u00e0s pol\u00eamicas intestinais. \u00c9 hora de o Estado agir, intervir no mercado, coordenar as for\u00e7as e mobilizar os recursos. Sua aus\u00eancia, seu retardo, ou vacilo gerar\u00e1 o caos. A liquidez financeira, a solv\u00eancia empresarial, o suprimento das mercadorias essenciais e o sustento do consumo das fam\u00edlias exigem medidas radicais e imediatas que demoraram a ser apreciadas nos Estados Unidos e, principalmente, no Brasil. A sa\u00edda da pandemia, ancorada em tosca ideologia, a teimosia, determinar\u00e1 o custo.<\/p>\n<p>Na antessala da trag\u00e9dia, o foco tem de ser a sa\u00fade das pessoas e o objetivo claro: evitar o aumento do n\u00famero de contaminados e, por conseguinte, de v\u00edtimas fatais. A ideologia que deve predominar \u00e9 salvar vidas. O debate n\u00e3o pode e nem deve ser pol\u00edtico, trata-se de sa\u00fade p\u00fablica. As pol\u00edticas fiscal, monet\u00e1ria, cambial, industrial e social devem ser todas articuladas para salvar vidas. At\u00e9 aqui, a \u00fanica resposta da medicina \u00e9 preventiva \u2013 a quarentena. Sem ela, o colapso do pa\u00eds chegar\u00e1 mais cedo do que tarde. Basta lembrar \u201cMil\u00e3o n\u00e3o Para\u201d, a campanha do prefeito da capital financeira italiana.<\/p>\n<p>Sem esquecer que, no Brasil, contavam-se 13 milh\u00f5es de desempregados e 28 milh\u00f5es de mal empregados em meados do ano passado; portanto, emprego e renda m\u00ednima ter\u00e3o de ser preservados com medidas pragm\u00e1ticas para que o dinheiro chegue o mais r\u00e1pido poss\u00edvel. A isso se soma uma escalada da crise sanit\u00e1ria global que prenuncia, segundo epidemiologistas, a guerra biol\u00f3gica do futuro. Com extensas e numerosas comunidades sem \u00e1gua e esgoto, ao lado de nossas casas, a derrota \u00e9 certa. O acesso \u00e0s condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de vida por parte da maioria dos brasileiros n\u00e3o devia ser quest\u00e3o ideol\u00f3gica; estamos entre aqueles com maior concentra\u00e7\u00e3o de renda no mundo. N\u00e3o se trata de esquerda, ou direita, mas do exerc\u00edcio futuro da democracia. Ela depende de pol\u00edticas sociais objetivas, pragm\u00e1ticas e efetivas que devem chegar com rapidez a quem precisa; ou seja, a todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>O desafio econ\u00f4mico que traz a atual crise sanit\u00e1ria n\u00e3o tem igual na hist\u00f3ria moderna, nem a crise de 1929 \u00e9 compar\u00e1vel. Como minimizar os efeitos devastadores do isolamento social e da parada nos neg\u00f3cios? Participar da pesquisa cient\u00edfica realizada em escala global, tirar li\u00e7\u00f5es do que acontece alhures, antes de acontecer aqui, usar a comunica\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea e a vigil\u00e2ncia digital por meio das redes sociais para prevenir o pior, produzir m\u00e1scaras, equipamentos de prote\u00e7\u00e3o, detergentes, respiradores hospitalares, reagentes e testes\u2026 A certo momento, como dizem alguns economistas, at\u00e9 mesmo jogar dinheiro do helic\u00f3ptero. A a\u00e7\u00e3o do Estado ter\u00e1 de ser reformulada. O p\u00f3s-crise do novo coronav\u00edrus ser\u00e1 solid\u00e1rio ou o caos.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.poder360.com.br\/author\/adriano-pires\/\">Adriano Pires<\/a><\/p>\n<p>Adriano Pires, 62 anos, \u00e9 s\u00f3cio-fundador e diretor do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE). Doutor em Economia Industrial pela Universidade Paris XIII (1987), Mestre em Planejamento Energ\u00e9tico pela COPPE\/UFRJ (1983) e Economista formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1980). Atua h\u00e1 mais de 30 anos na \u00e1rea de energia.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.poder360.com.br\/author\/luiz-eduardo-duque-dutra\/\">Luiz Eduardo Duque Dutra<\/a><\/p>\n<p>Luiz Eduardo Duque Dutra, 58 anos, \u00e9 professor da Escola de Qu\u00edmica da UFRJ. Tamb\u00e9m ministra aulas de economia e finan\u00e7as na Escola Polit\u00e9cnica e na Coppe. \u00c9 doutor em Ci\u00eancias Econ\u00f4micas pela Universidade de Paris-Nord e p\u00f3s-graduado em Propriedade Intelectual pela Universidade de Turim e WIPO Academy. Recentemente publicou o livro Capital Petr\u00f3leo: A Saga da Ind\u00fastria entre Guerras, Crises e Ciclos pela Editora Garamond.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>07\/03\/2020 &#8211; A ES Petro publica a seguir o artigo assinado por Adriano Pires e Luiz Eduardo Dutra, dois economistas com larga experi\u00eancia na \u00e1rea de energia. 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