Matéria publicada hoje (17/01) no jornal O Globo afirma que, entre janeiro e novembro do ano passado, a Petrobras perdeu R$ 9,3 bilhões, por vender gasolina e diesel no mercado brasileiro a preços menores que os cobrados no mercado internacional.
Esse é o desejo de analistas obtusos, como o que fez o cálculo para o jornal. Por que os derivados do petróleo brasileiro devem ser vendidos a preços internacionais? Esses preços são formados por distintas variáveis, influenciadas por países produtores e não produtores de petróleo. Dentre os 10 maiores produtores mundiais de petróleo (de acordo com classificação da Agência de Informações em Energia do Departamento de Estado americano – EIA, na sigla em inglês), oito praticaram preço médio da gasolina abaixo do preço médio internacional no último dia 13, conforme a consultoria Global Petrol Prices: Arábia Saudita, EUA, Rússia, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Kuweit, Índia e Brasil. Todos venderam o litro da gasolina, a preços medidos em dólar, abaixo dos US$ 1,23.
Mentem o autor dos dados para o Globo e outras fontes, ao pretenderem que a suposta perda milionária da Petrobras é impactada pelos volumes que o Brasil importa. Nada disso! De acordo com dados da ANP – Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis -, citando a Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Economia, as importações de gasolina até novembro não passaram de 10% do consumo interno. Já as compras externas de diesel devem ficar abaixo dos 25% do ano passado.
Ainda assim, com a atual política de preços, olhando para seu impacto no bolso do brasileiro e na economia, a Petrobras seguiu contabilizando lucros, parte dos quais distribuídos a seus acionistas.
A experiência de dolarizar o preço dos combustíveis fez a Petrobras se tornar a campeã de lucros no ano de 2022, no governo passado. Então, por sucessivos meses, o preço médio da gasolina ficou na faixa dos R$ 7. Preço médio, porque em várias cidades, esse preço bateu na casa dos R$ 8. Então, o preço do barril do petróleo (Brent) ficou por meses na casa dos mais de US$ 100 (US$ 121,67 em 30 de maio).
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Edson Silva, autor do artigo, é economista, com pós graduação em Economia do Petróleo, pela UFRJ, e ex-Superintendente de Abastecimento da ANP.
