17/12/2019 – Em matéria assinada pelo jornalista Jefferson Klein e publicada hoje no Jornal do Comércio, Edson Silva, economista-chefe da consultoria ES Petro, fala sobre decisão da Petrobras de vender sua participação em blocos da bacia de Pelotas, no Rio Grande do Sul. Veja matéria adiante:

Petrobras e Total vendem parte da Bacia de Pelotas

A Petrobras e a francesa Total venderão entre 30% a 65% da participação na concessão BM-P-2 que envolve quatro blocos exploratórios, totalizando 2.598 quilômetros quadrados de área, dentro da Bacia de Pelotas, na costa gaúcha. Cada empresa detém metade desses ativos que foram arrematados há 15 anos pela estatal brasileira, na sexta rodada de licitações da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), mas que até agora não tiveram perfurações de poços exploratórios de petróleo.

Ao todo, a Bacia de Pelotas compreende aproximadamente 210 mil quilômetros quadrados e se estende do Sul de Santa Catarina até a fronteira com o Uruguai, abrangendo toda a costa do Rio Grande do Sul, estando concentrada, em sua maior parte, no mar. A Total tornou-se parceira dos blocos em questão com a aquisição de 50% da participação em 2013. Em comunicado divulgado nessa segunda-feira (16), a Petrobras detalha que a concessão BM-P-2 está localizada em águas profundas da Bacia de Pelotas em lâmina d’água entre 1 mil e 2 mil metros.

Atualmente, a concessão contempla os blocos exploratórios P-M-1269, P-M-1271, P-M-1351 e PM-1353 e, conforme a companhia, está estrategicamente posicionada em relação à 18ª Rodada de licitações da ANP, prevista para 2021, em que deverão ser selecionados blocos da Bacia de Pelotas.

As empresas candidatas devem expressar seu interesse quanto à oportunidade até o dia 23 de dezembro, mas a estatal não detalhou previsão de conclusão do processo ou perspectiva de valores.

O texto ao mercado ainda ressalta que “essa concessão apresenta um reduzido compromisso exploratório (o que significa a exigência da perfuração obrigatória de apenas um poço) com o potencial de comprovar significativos volumes e firmar posição em uma nova fronteira exploratória (que ainda não tem produção de petróleo)”. Apesar desse destaque, o diretor da consultoria ES Petro, Edson Silva, reforça que até hoje a Petrobras não conseguiu levar adiante a atividade exploratória nesses blocos.

O dirigente lembra que a Bacia de Pelotas se trata de uma área em que os estudos feitos não indicaram a presença de petróleo, mas a existência de uma espécie de hidrato de gás, que não tem produção paralela no Brasil. “É uma tecnologia muito específica (para aproveitar esse recurso), quem detêm essa tecnologia são os japoneses”, diz Silva.

O consultor projeta que, dificilmente, aparecerá interessados nesses blocos. “No contexto, é uma bacia que não tem se revelado muito promissora para a exploração”, reitera. A Petrobras chegou a manifestar que tinha planejado as perfurações de dois poços, o Guarani e o Pampeano, cuja localização fica a quase 200 quilômetros, mar adentro, a partir dos municípios de São José do Norte e Rio Grande. Contudo, os empreendimentos não foram adiante. Oficialmente, o motivo da iniciativa não ter prosseguido foi atribuído à demora no licenciamento ambiental que é concedido pelo Ibama.

Entretanto, fontes sugerem que, devido ao alto nível de investimento em uma perfuração (estimado em cerca de US$ 100 milhões) e ao fato da Bacia de Pelotas não ser uma das áreas no Brasil com maiores indícios de reservas de petróleo e gás, a Petrobras não fazia tanta questão de acelerar esforços nesse empreendimento. Silva também não considera os obstáculos ambientais como determinantes para a estatal não ir adiante com a perfuração de poços, mas considera que o principal foi a questão dos elevados investimentos que a ação implicaria.

 

 

ES Petro opina sobre venda de blocos da Petrobras na bacia de Pelotas

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