Bloomberg e Ramona Ordoñez

Após uma maratona de conversas bilaterais realizadas ao longo de uma semana e de quatro dias de videoconferências com ministros de governos do mundo todo – incluindo os integrantes da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e as nações do G-20 – um acordo finalmente foi alcançado para lidar com o impacto da pandemia global na demanda por petróleo.

As conversas quase fracassaram por causa da resistência do México, mas ressurgiram após um fim de semana de tratativas diplomáticas – enquanto o relógio corria antes da abertura dos mercados.

OPEP e aliados vão cortar 9,7 milhões de barris diários – pouco abaixo da proposta inicial de 10 milhões de barris. Estados Unidos, Brasil e Canadá vão contribuir com outros 3,7 milhões de barris já que suas produções estão em declínio.

Representantes da OPEP ainda aguardavam para ouvir mais de países do G-20 – embora não esteja claro se estes números vão, de fato, representar corte na produção ou apenas declínio em razão das forças do mercado.

O México pareceu ter tido uma vitória diplomática já que vai contribuir com um corte de apenas cem mil barris diários – menos do que seria a sua cota proporcional.

Grande o suficiente?
Com o vírus paralisando viagens aéreas e terrestres, a demanda por gasolina tem forte queda e os preços do barril de óleo cru atingiram a mínima em 18 anos. Isso ameaçou o futuro da indústria de shale gas nos Estados Unidos e a estabilidade de países dependentes do petróleo, ao mesmo tempo que passou a representar um desafio adicional para os bancos centrais que lutam contra os efeitos da pandemia.

A questão agora para o mercado de petróleo é se os cortes serão suficientes para criar um piso para os preços diante da derrocada da demanda.

Com países em todo o mundo prorrogando o período de quarentena, número crescente de mortes em Nova York e o desemprego explodindo nos Estados Unidos, o mercado de petróleo está muito mais preocupado agora com o consumo do que com a oferta.

O barril do WTI caiu mais de 9% na quinta enquanto investidores antecipavam que os cortes não seriam suficientes. Os mercados de petróleo ficaram fechados na sexta em razão da Semana Santa.

Para que o acordo fosse fechado, o presidente dos EUA, Donald Trump, interveio, depois que o presidente do México, Andres Manuel Lopez Obrador, um político de viés populista de esquerda que prometeu elevar a produção de petróleo do México, reclamou dos termos do acordo. Conversas bilaterais entre Arábia Saudita e México continuaram ao longo do fim de semana, e o México parecia ter conseguido o que queria.

A OPEP buscava uma redução de 5 milhões de barris diários dos produtores que integram o G-20. O grupo, entretanto, não fez menções a cortes em seu comunicado após o encontro na sexta-feira, apenas disse que adotaria medidas para garantir a estabilidade.

Brasil produz 3%
A produção total de petróleo no Brasil, antes do agravamento da crise mundial por causa da pandemia, era de 3 milhões de barris por dia, representando apenas cerca de 3% do consumo mundial que era da ordem de 100 milhões de barris por dia. Apesar de estar entre os dez maiores produtores do mundo com esse volume, é bem menor em comparação à produção dos três maiores, Arábia Saudita, Rússia e Estados Unidos, que é da ordem de 10 milhões a 12 milhões de barris diários, cada.

De acordo com analistas internacionais, nas últimas semanas a demanda mundial sofreu uma redução entre 15 milhões a 20 milhões de barris diários de petróleo, sendo que só a gasolina está com uma queda na demanda mundial da ordem de 20%. Isso tem feito os preços do petróleo ficarem abaixo de US$ 30 o barril nas últimas semanas.

Da produção total no Brasil de 3 milhões de barris por dia, a Petrobras respondia por dois milhões de barris por dia. A venda de combustíveis nas grandes cidades do país já teria caído cerca de 60% e, nas rodovias, 40%. Por conta dessa redução abrupta no consumo de combustíveis, nas últimas semanas a Petrobras reduziu em 200 mil barris por dia sua produção.

Devido às leis de defesa da concorrência no Brasil, analistas explicam que reduções na produção brasileira de petróleo têm de ser voluntárias, tanto por parte da Petrobras como das produtoras que atuam no país. Por isso, novas reduções na produção da Petrobras, ou de outros produtores, poderão ocorrer, mas por conta da forte queda do consumo, avaliam especialistas.

Fonte: O Globo 

Guerra de preço termina com acordo histórico de corte de produção da Opep

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