Matéria veiculada nacionalmente dias atrás por um canal de mídia televisiva distorceu números e conclusões do boletim “Fiscalização do Abastecimento em notícias, divulgado pela ANP – Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis.

Diz a matéria, já sensacionalista na manchete: “Interdições de postos por fraudes aumentam em 2019”, para depois acrescer no comentário da âncora do telejornal: “O número de interdições em postos de combustíveis aumentou quase 90% no primeiro semestre. O principal motivo foram as fraudes na quantidade registrada pelas bombas. Outro problema são os combustíveis batizados.”

Isso não é verdade! Não é o que diz o relatório de fiscalização da ANP. “As irregularidades de maior relevância para o consumidor” – diz a apresentação assinada pelo diretor da agência – como qualidade dos combustíveis e vícios de quantidade, mantém índices estáveis, com os percentuais relativos e os números absolutos expressando um cenário de infrações em patamares baixos (grifo nosso) e com adequados índices de efetividade das ações de fiscalização.”

A falsa e alarmista interpretação da matéria jornalística ficam mais bem evidenciados no gráfico que ilustra as principais motivações dos autos de infração, em percentual. Ali fica visto que a principal notificação, com 21%, foi o “não cumprimento de notificação (quando o estabelecimento deixa de regularizar uma infração apontada pelo fiscal). Já a comercialização com vício de quantidade ficou em quarto lugar, com 12% das ocorrências. E em 3º, com 13%, a comercialização ou armazenamento de produto fora da especificação.

Também foi distorcida a informação sobre o Rio Grande do Sul, que, de fato, teve um crescimento das interdições, mas em nenhum lugar do Balanço da ANP está dito que foi por comercializar combustíveis com vício de quantidade – a chamada bomba baixa – e por problema na qualidade do produto comercializado, como o noticiário sugere.

Já atormentado por preços que sobem, com a política de dolarização da Petrobras, uma informação assim, além de distorcer a realidade, contribui para alimentar o imaginário do consumidor, que enxerga armação contra seus interesses em todo lugar. Zelar, assim, pelas boas práticas é uma exigência permanente para o empreendedor responsável, inteligente, sério, contemporâneo, que respeita seu cliente. Esses são maioria e desejam que os órgãos do Estado, de fiscalização e controle, saneiem o mercado, dele expurgando os mal caráter.

O Boletim de Fiscalização pode ser visto aqui:

http://www.anp.gov.br/noticias/5350-anp-divulga-dados-de-fiscalizacao-do-abastecimento-do-1-semestre-de-2019

Notícia distorce dados de fiscalização da ANP

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