26/11/2019 – Prenúncios, presságios para o mercado de combustíveis.

O dólar fechou esta terça-feira a R$ 4,2398, atingindo o maior valor nominal da história sobre o Real, um aumento de cerca de 0,6%. Ontem, outro recorde, tendo a moeda norte-americana encerrado o dia a R$ 4,2129, cravando um aumento de 0,5% frente ao fechamento da sexta-feira.

Para o Ministro da Economia, Paulo Guedes, com a queda dos juros, a cotação de equilíbrio do dólar “tende a ir para um lugar mais alto…” – entrevista na segunda-feira à noite nos Estados Unidos. Boa senha para quem especula no mercado de câmbio: se a tendência é de o dólar continuar subindo, comprar hoje é um bom negócio, diante da perspectiva, sinalizada pelo Ministro, de subida amanhã. Logo, mais demanda pela moeda norte-americana. Já o Banco Central mandou outro  sinal ao intervir no mercado de câmbio e anunciar, nesta terça-feira, um leilão de venda à vista de, no mínimo, US$ 1 milhão. Nesse ambiente, as mesas de câmbio podem perfeitamente testar quem prevalece, se a lógica do  Ministro ou a disposição do Banco Central em oferecer moeda.

Uma instabilidade que certamente não favorece à economia real.

O presidente da República, por sua vez, disse a repórteres: “Se você for analisar, na ponta da linha tem vantagens, prós e contras no dólar a R$ 4,21 como está agora.” Ou seja, tem para todos os gostos.

Para os empresários do mercado de combustíveis e para os consumidores a flutuação ascendente do dólar é uma péssima notícia, um presságio. Como os preços dos combustíveis no Brasil estão dolarizados, além de sujeitos à flutuação do preço do petróleo no mercado internacional, pode-se esperar que a Petrobras anuncie novos reajustes nos preços da gasolina e do diesel produzidos por suas refinarias. O último, no dia 19, foi de 2,83% para a gasolina e de 1,21% para o diesel.

Na ponta, o preço médio da gasolina entregue pelas distribuidoras, na semana de 17 a 23/11, subiu 0,1% em Porto Alegre, frente a semana anterior, mas o consumidor continuou pagando o mesmo preço médio nos postos e sua margem bruta caiu 1,3%, de acordo com a pesquisa semanal da ANP – Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis.

Assim tem sido em tempos recentes. Com o consumo em queda, o operador do Posto de combustíveis, de um modo geral, não consegue repassar o aumento de preço praticado pela distribuidora, vendo-se na condição de diminuir sua margem para não perder clientela. Quem pode, range os dentes, paga pra ver e reduz a rentabilidade de seu negócio; quem tem menos “bala na agulha”, sai do mercado ou nele permanece, embora quisesse sair, acumulando prejuízos.

O consumo nacional de gasolina, entre setembro e agosto deste ano, caiu 5,2%, segundo a ANP.  No Rio Grande do Sul, a queda foi ainda maior, de 8,1%.

 

 

Augúrios

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